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domingo, 20 de junho de 2010

ESTRUTURA NARRATIVA

1. AS PARTES DA NARRATIVA.
A estrutura narrativa consiste de três partes essenciais, a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. (BOLIVARPORTO, 2010). Mas para entender uma narrativa não é suficiente ter apenas um começo, meio e fim é necessário considerar “o elemento estrutural das partes: O conflito” (CANDIDO, 2004: p. 12). Por exemplo, as narrativas infantis como “Chapeuzinho vermelho sem lobo mau, O Patinho Feio sem a feiúra, a cinderela sem meia-noite” (CANDIDO, 2004: p. 13). Sem estes critérios faltaria a elas vida e movimento, ou seja, o conflito porque o conflito ajuda o leitor-ouvinte entender os conceitos principais (o movimento e as ações) da narrativa.
Segundo Candido,
“O conflito se define pela tensão criada entre o desejo da personagem principal (isto é, sua intenção no enredo) e alguma força opositora, que pode ser uma outra personagem, o ambiente, ou mesmo algo do universo psicológico” (CANDIDO, 2004: p. 13).

Existem vários tipos de conflitos, por exemplo: morais, religiosos, econômicos, sociais e psicológicos, porém o conflito é responsável para determinar as partes da narrativa como Exposição (introdução), complicação (desenvolvimento), Clímax e desfecho. (CANDIDO, 2004: p. 13).
A Complicação (desenvolvimento) pertence à parte onde desenvolve os conflitos além de ser a maior parte da narrativa. Nesta parte o conflito gera na volta das personagens como opositores ou auxiliares da narrativa. (CANDIDO, 2004: p. 13).
O clímax é o momento mais alto (elevada) da narrativa em que “o conflito chega a seu ponto máximo”. (CANDIDO, 2004: p. 14). As outras partes da narrativa estabelecem as bases através do clímax. Segundo Bonnici, existe o Nó e o clímax; o Nó dá origem ao conflito assim introduzindo o fato responsável de criar o obstáculo da narrativa. O Nó pode se definido como “o fato que interrompe o fluxo da situação inicial da narrativa, criando um problema um obstáculo que deverá ser resolvido” (BONNICI et al, 2005: p. 43).
Bonnici vê o clímax como o elemento que desenvolve a narrativa e marca o momento do conflito dramático como o “momento do tudo-ou- nada entre as forças contrárias que agem e se defrontam na narrativa”. (BONNICI et al, 2005: p. 43).
O Desfecho também chamado de desenlace ou conclusão é o meio de resolver os conflitos com um fim feliz ou infeliz. Existem diversos tipos de desfecho como “surpreendente, feliz, trágico, cômico etc.” (CANDIDO, 2004: p. 14). De acordo com Bonnici, o desfecho está ligado à situação final da narrativa e na resolução dos conflitos da história onde se vence as forças opositoras. (BONNICI et al, 2005: p. 43).
Bonnici faz algumas observações importantes referentes os conceitos de Nó, clímax e desfecho. Ele observa que estes conceitos não são necessariamente ligados as noções regulares de introdução, desenvolvimento e conclusão previstos como estrutura da narrativa regular. É preciso entender este fato na analise e interpretação do texto narrativo. (BONNICI et al, 2005: p. 43).
Bonnici continua afirmando que a narrativa não tem obrigação de apresentar uma introdução ou uma conclusão e também não é obrigado incluir o Nó, clímax e desfecho. Em algumas narrativas o clímax e desfecho se apresenta ao mesmo tempo, ou seja, o conflito e sua resolução. (BONNICI et al, 2005: p. 44).
Segundo a Bonnici existem narrativas que não seguem a ordem lógica chamados de Anacronias. Anacronias pode ser considerado como os “desencontros entre a ordem dos acontecimentos na diegese e a ordem de sua apresentação no discurso narrativo. As Anacronias subdividem em Narrativa in media res., Narrativa in última res., Analepses e Prolepses.
• Narrativa in media res. A narrativa começa com fatos ou acontecimentos que pertence ao desenvolvimento da diegese ou narrativa.
• Narrativa in Ultima res. A narrativa se inicia com fatos que pertence ao desfecho da narrativa ou diegese, ou seja, começa pelo fim da narrativa para depois desenvolver o começou.
• Analepses: É um recurso temporal que permite incluir acontecimentos passados e pode ser comparado a efeito cinematográfico chamado de flashbacks.
• Prolepses: É um recurso temporal que permite a incluir acontecimentos antecipados na diegese de um fato ou situação que ainda aparecera mais tarde na narrativa. Sendo conhecido como flashforward nos termos cinematográfico.

2. EXEMPLOS DE ESTRUTURAS NARRATIVAS.

Na pequena narrativa Pedro pára, pára Pedro de Stanislaw Ponte Preta podemos identificar estas estruturas narrativas com facilidade.
Exposição: Um grupo de gozadores de Aracaju fundava uma associação chamada Clube Sergipano de Penetras, especializado em penetrar em festas sem ser convidados.
Complicação: O clube estreou auspiciosamente, comparecendo ao casamento da filha do Governador Lourival Batista, pra comer doce e aceitar croquete oferecido em bandeja.
Clímax: O presidente do clube, universitário Wadson Oliveira, ainda aproveitou a presença do Vice- Presidente Pedro Aleixo nas bordas e pediu a palavra, saudando-o copiosamente, a chamá-lo a cada instante de benemérito do país, grande figura político, ínclito patriota, etc. etc. etc.
Desfecho: Dizem que Pedro Aleixo acreditou.
(citado Febeapá. Rio de Janeiro Sabia 1967. Apud CANDIDO, 2004: p. 14)
Neste exemplo o final é feliz e termina com uma piada surpreendente e feliz. Se for analisar a narrativa, na parte da exposição à criação do Clube Sergipano de Penetras é o fato inicial, ou seja, o começo da narrativa. A complicação é representada pelo desenvolvimento deste fato inicial neste caso a festa de casamento. O clímax sendo o momento mais levado é representado pelo discurso do presidente do clube e o desfecho que finaliza a narrativa neste caso sendo um desfecho irônico. A ironia está baseada no fato que “o Clube de Penetras tem uma recepção, ao contrário do que se pudesse esperar”. (CANDIDO, 2004: p. 15).
Quando se trata de narrativas clássicas como: uma fábula de Esopo, “O corvo e o jarro” o conflito está bem caracterizado, ou seja, a tensão criada entre a personagem e algumas forças opositoras.
Exposição: um corvo morria de sede e se aproximou de um jarro, que uma vez vira cheio d’água. Mas, desapontado, verificou que a água estava tão baixa que ele não podia alcançá-la com o bico.
Complicação: Tentou derramar o jarro, mas era impossível: o jarro era pesado demais. De repente, viu ali perto um monte de bolas de gude. Apanhou com o bico uma das bolas e a jogou dentro do jarro. Depois outra. E outra mais. E outra. E a cada bola que jogava, a água subia.
Clímax: Jogou tantas bolas dentro do jarro que a água subiu até o gargalo.
Desfecho: Então o corvo pode beber.
Moral da história: Onde a força falha, a inteligência vence. (CANDIDO, 2004: p. 14).
Na exposição desta fábula, a personagem é apresentada já com as intenções de beber água. Além disso, apresenta também o obstáculo de que a água estava tão baixa que ele não podia beber assim determina a força opositora neste caso: o jarro. (CANDIDO, 2004: p. 16).
Na complicação, o conflito está entre as intenções da personagem de beber água e a forca opositora de não poder alcançar a água dentro do jarro. As forças auxiliares podem ser consideradas as bolas e a inteligência do corvo de saber colocar bolas de gude suficientes até poder beber a água.
No clímax, o ponto mais elevado ou intensificado e o momento quando o corvo consegue realizar as intenções de beber a água depois de ter colocado a quantidade de bolas necessárias. O clímax serve para prever o desfecho. O desfecho neste caso é o sucesso de realizar as intenções de beber água e a conquista do obstáculo. Neste tipo de fábulas é comum ter uma moral no fim para justificar a moral da história. (CANDIDO, 2004: p. 16).
Existem estruturas narrativas que são estruturadas pelos movimentos interiores como emoções denominadas narrativas psicológicas. As narrativas psicológicas têm estruturas similares às narrativas de ações como o conflito por isso são fácil de analisar. As narrativas psicológicas têm tendência de utilizar anacrônicas para expressar situações e emoções sentidas no passado ou futuro.

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